Todos no limite

J.C.Gutierrez

Está certo que as opiniões diversas e, principalmente as divergentes, fazem parte de uma democracia saudável. Não é de hoje que os mais extremistas se estranham, também não é novidade que os ânimos mais aguçados resultam em confrontos mais ásperos. Contudo, qual o cabimento das trocas de insultos e acusações em “baixo calão” entre políticos, famosos atores e pessoas comuns nas ruas? Bem, uma das coisas boas das escolas dos anos de 1980 era uma disciplina chamada Educação Moral e Cívica. Nela, os educadores falavam categoricamente sobre os dez direitos e deveres do cidadão brasileiro. Era sabido, desde cedo, por um aluno do Fundamental II, mais precisamente antiga 6ª série, atual 5º ano, que os direitos só seriam acompanhados do cumprimento dos deveres. Por exemplo: tem-se o direito de usar as praças públicas para o passeio no final de semana, desde que o cidadão cumprisse o dever de mantê-la limpa e em ordem, respeitando os demais cidadãos que por ali poderiam frequentar a qualquer momento do dia. Seguindo esta lógica, as crianças eram ensinadas a se comportarem de acordo com o limite do outro, seja de espaço, tempo e por que não, opinião. É exatamente este ponto que se perdeu na sociedade atual, acostumada a vivenciar virtualmente 95% do tempo com os demais, encorajando-se da agressividade e desrespeito, mas com uma notável covardia de se expressar de forma ríspida quando o assunto é olhos nos olhos. Nessas horas faltam palavras e sobram palavrões! Há uma série de qualidades que nos distinguem dos seres irracionais, embora o instinto animal e o ser racional habitam o mesmo ser humano e, quando aquele prevalece sobre este, o ser humano da vasão ao ódio, a raiva e age com atos impensáveis. Não podemos jamais esquecer a magia de ser uma criança, a alegria de viver buscando sempre coisas novas, prestar atenção nas coisas simples como um beija flor buscando mel nas flores, o por do sol no horizonte, as cores do arco-ires e a beleza do jorrar da água na fonte. Dos jogos inocentes nos campinhos de futebol, das bolinhas de gude e do pião, do soltar pipa ao vento, da felicidade da companhia dos amigos, são preciosidades que não voltam jamais. Portanto...

*Geografia da Fome
*O garotinho bragançano
*Aos criminosos cruéis pena de morte ou prisão perpétua
*Presunção de hipossuficiência