A Maçonaria na revolução de 1932

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*J.C. Gutierrez

Como em outras épocas passadas, na Independência, República e Libertação dos Escravos a participação da maçonaria na Revolução de 32 foi bastante abrangente, a partir das críticas contundentes feitas através da imprensa no início de 1.931 contra o golpe da Revolução de 30 e o regime despótico implantado por Getúlio Vargas, pelo advogado, jornalista e tribuno  Ibrahim Nobre, maçom da Loja Fraternidade de Santos. As reuniões preparatórias para o levante armado, eram realizadas na sede do jornal “O Estado de São Paulo” na Rua Boa Vista, de propriedade do maçom Júlio de Mesquita Filho (Loja União Paulista) e tendo ainda como participantes os maçons Américo de Campos (Loja América), Francisco Rangel Pestana (Loja América), Manoel Ferras de Campos Salles(Loja Sete de Setembro), José Maria Lisboa (Loja Amizade) e Pedro de Toledo, ex-Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de São Paulo (1.908 – 1.914) que havia sido nomeado por Getúlio Vargas para interventor de São Paulo, tendo este declinado do cargo pelos motivos óbvios de seus ideais maçônicos, porém, devido a insistência do caudilho aceitou. No dia 9 de julho de 1932, sábado, a partir das 11h40, a revolta constitucionalista eclodiu nas ruas da pauliceia sob o comando de Euclides Figueiredo  e com a tomada do Quartel General da 2ª  Região Militar e, em seguida, por volta das 23h15 as sociedades de rádios eram tomadas por civis revoltados. No dia seguinte, 10 de julho o interventor Pedro de Toledo foi aclamado pelo povo, pelo exército e pela Força Pública como Governador do Estado de São Paulo. No dia 14 de julho, convocada pelo Grão Mestre estadual  de São Paulo, José Adriano Marrey Junior, foi realizada uma reunião dos Veneráveis Mestres das Lojas da Capital, onde foi solicitado o apoio das Lojas a causa Paulista, o auxilio as famílias dos maçons  que seguiram para as frentes de batalha e a colaboração de todos os maçons  que pudessem participar , de alguma forma, nessa luta por São Paulo. Não podemos deixar de citar um dos ícones da Revolução Constitucionalista, o general  Ataliba Leonel, ex-Venerável  Mestre da Loja Cavalheiros do Sul do Oriente de Piraju-SP.  Mas, o tempo passou e tudo mudou desde então, quando o homem tinha o bom senso de viver em sociedade cônscio do papel que representava, como aqueles heróis que lutaram e deram suas vidas para fazer uma pátria melhor para seus compatriotas e, deixam para a história, seu  famoso dístico de protesto do revolucionário paulista de 32 : “Não esquecemos;  Não transigimos;  Não perdoamos”.

 *jornalista/escritor