Acidente com guindaste no Itaquerão já tem nove indiciados

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Penas podem ser de até 3 anos de prisão. Dois operários morreram no desabamento do equipamento em novembro

A Polícia Civil indiciou nove pessoas pelo acidente com o guindaste que tombou em novembro, matando dois operários no Itaquerão. Segundo o delegado responsável pela investigação, Luiz Antonio da Cruz, titular do 65º distrito policial, de Arthur Alvim, uma fiscalização mais rigorosa teria percebido que o solo não ia suportar o peso do equipamento.
Dos nove funcionários indiciados pela polícia, sete trabalhavam para a Odebrecht, construtora responsável pelo estádio. Os outros dois funcionários eram da Locar, empresa contratada para operar o guindaste.
Em novembro do ano passado, o guindaste estava erguendo a última peça que faltava da cobertura da arquibancada. Mas o chegou a tombar junto com a estrutura, que pesava incríveis 420 toneladas. O motorista Fábio Luiz Pereira, de 41 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 43, ambos terceirizados, morreram no acidente, ocorrido em 27 de novembro de 2013.
No mês passado, o laudo do Instituto de Criminalística concluiu que o solo onde o guindaste estava sofreu um afundamento. Segundo o documento, o equipamento não tinha problemas mecânicos e tampouco houve erro do operador.
A polícia indiciou as nove pessoas pelo crime de desabamento com morte. Se condenadas, elas ficam sujeitas a uma pena que varia de 1 a 3 anos de prisão.
Entre as pessoas que vão responder na Justiça pelo desabamento, estão três engenheiros da obra. A Odebrecht disse que não concorda com o indiciamento de seus funcionários e que vai se manifestar em detalhes quando o inquérito policial terminar.
A Locar Guindastes e Transportes disse que aguarda a formalização de eventuais deliberações pelas autoridades e lembrou que ambas seguem colaborado com as investigações.
O acidente
Para os peritos, a base de pedras e chapas de aço - construído acima do solo pra suportar o peso do guindaste - cedeu em alguns pontos. Com isso, o guindaste se inclinou e acabou tombando.
Em abril último, a Odebrecht, empresa responsável pela obra, apresentou um estudo de 500 páginas afirmando que a queda do guindaste não foi provocada por instabilidade no solo. O laudo que a construtora do estádio encomendou a uma empresa especializada, dizia que o aterro compactado de quatro metros de profundidade não se deformou, nem amoleceu com as chuvas e poderia suportar o peso do guindaste.
Outro acidente
Em 29 de março deste ano, outro operário morreu na obra. Fabio Hamilton da Cruz, (23), quando participava da montagem de parte das arquibancadas provisórias, no setor sul, e caiu de uma altura de nove metros. A vítima foi socorrida e levada ao Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu aos ferimentos. Ao todo, nove pessoas morreram nas construções de estádios da Copa em todo o país. Apesar dos incidentes e imprevistos, toda a programação para a competição ocorreu normalmente, surpreendendo, de forma positiva, turistas e brasileiros em geral.