Copa custa mais caro e deixa menos recursos que o previsto

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O único segmento que não sofreu baixas foram os estádios. Todos os projetos previstos saíram do papel e custaram R$ 8 bilhões ao país - 98% em recursos públicos-, montante 50% acima do previsto. Ainda que com parte das arquibancadas provisória, como no Itaquerão, eles ficaram prontos para a Copa

A Copa do Mundo deixa um legado de infraestrutura para o Brasil muito menor do que o prometido quatro anos atrás - e a um custo mais alto. Em 2010, o governo anunciou que o evento atrairia investimentos de R$ 23,5 bilhões em 83 projetos de mobilidade urbana, estádios, aeroportos e portos. Parte das obras ficou no caminho e só 71 projetos foram mantidos na lista. As obras entregues para a Copa e as inacabadas somam R$ 29,2 bilhões - mesmo tendo sido substituídos em várias cidades projetos ambiciosos, como trens e monotrilhos, por modestos corredores de ônibus. Ou seja, o país gastou mais para fazer menos e com menor qualidade.
Em setembro de 2013, o Ministério dos Esportes apresentou sua última consolidação das obras da chamada Matriz de Responsabilidade da Copa, já com a exclusão dos projetos prometidos em 2010 e abandonados. Os 71 projetos confirmados somavam então R$ 22,9 bilhões. Esse resultado significava que os governos federal, estaduais e municipais e a iniciativa privada gastariam 3% a menos do que o previsto em 2010 para fazer 15% a menos em número de obras. Os investimentos estavam distribuídos assim: 50,5% para o governo federal, 33,1% para os Estados e municípios e 16,4% para o setor privado. Contudo, hoje, é ainda maior: R$ 29,2 bilhões, ou 27% a mais do que o anunciado há quatro anos.
A construção dos estádios foi prioridade, seguida dos aeroportos. Mas na mobilidade urbana, o principal legado da Copa para os moradores das grandes cidades, o resultado foi sofrível. De 50 projetos, apenas 32 foram mantidos. De acordo com o Ministério do Esporte, o país investiria R$ 7 bilhões em mobilidade urbana para receber a Copa, R$ 4,47 bilhões a menos do que o previsto em 2010.
Inacabadas
Grande parte das obras não foi entregue a tempo para o evento. O levantamento mostra que 74 obras de mobilidade urbana foram entregues e 46 permanecem inacabadas. O número de obras é maior do que o da lista de projetos do ministério porque as prefeituras e governos estaduais, que são as fontes dessa informação, costumam segmentar projetos em várias obras.
O Expresso Aeroporto, trem que ligaria o centro da cidade a Cumbica, foi cancelado em 2012. E o monotrilho do Morumbi ainda está em construção.
O abandono e a não conclusão das obras só não tiveram um impacto maior porque a maioria das cidades decretou feriado ou ponto facultativo para o funcionalismo, além de as férias escolares de julho terem sido antecipadas. Em uma cidade como São Paulo, isso equivale a trocar o deslocamento de seus 10 milhões de habitantes pelo de 64 mil torcedores indo para o Itaquerão.
Em São Paulo, o projeto original previa a reforma do Morumbi, que custaria R$ 240 milhões, somando outros R$ 315 milhões em obras do entorno. Com a substituição da obra pela construção do estádio do Itaquera e investimentos no seu entorno, o custo saltou para R$ 1,37 bilhão.
Site francês sugere moradias nos estádios da Copa
Uma dupla de arquitetos franceses sugeriu transformar os 12 estádios do Brasil na Copa do Mundo de 2014 em casas para desabrigados
O projeto, chamado “Casa Futebol”, quer aproveitar espaços nos estádios do Mundial para preenchê-los com pequenas moradias. Desta forma, os locais poderiam continuar recebendo partidas de futebol, enquanto desabrigados por grandes obras poderiam morar em partes do local.
“Não é uma questão de questionar o interesse do povo brasileiro pelo futebol, mas de propor uma alternativa ao déficit de moradias”, diz o site do projeto “1week1project” (“Uma semana, um projeto”), segundo os responsáveis, “os estádios continuarão a ser usados recebendo partidas de futebol. Uma parte dos lucros será usada para financiar a construção e a manutenção das casas”. Segundo o plano, casas de 105 m² seriam encaixadas em vãos dos estádios, viabilizando a moradia. 
Apesar de requerer um longo trâmite burocrático, além de barreiras políticas no país, projetos ousados como este fazem parte do contexto europeu contemporâneo. O projeto é semelhante ao que já é aplicado em países da Europa, onde painéis de propaganda (outdoors) ganham anexos habitáveis.