Tirar cooperativas do transporte público é um erro, diz Ocesp

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Sem as cooperativas, como sugere o prefeito Fernando Haddad, o transporte na cidade vai ficar mais caro; e os trabalhadores perderão seus direitos como donos do empreendimento e poderão ser explorados numa outra relação de trabalho

Uma das mudanças aventadas pela Prefeitura para a próxima licitação do sistema de transporte é a substituição de cooperativas por outros tipos de empresa de ônibus. Atualmente, 12 cooperativas com 6 mil motoristas associados operam linhas da periferia.
O coordenador jurídico da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo), Paulo Vieira, alerta que, se a intenção for concretizada, será um erro por parte da Prefeitura. “Antes de mais nada é importante deixar claro que cooperativa também é empresa. É uma empresa onde todos os motoristas associados são donos. Eles não têm salário fixo, recebem pelo trabalho realizado. Diferentemente das empresas tradicionais, as cooperativas não concentram renda, elas contribuem para diminuir a desigualdade social. É um modelo importante para qualquer governo”, ressalta Vieira, acrescentando que as cooperativas têm um custo tributário menor do que a maioria das empresas.
A melhoria da gestão dos contratos com a Prefeitura é outro apontamento da auditoria. “A prefeitura quer implementar um sistema de SPEs (Sociedade de Propósito Específico) para padronizar e aprimorar o transporte público. Mesmo assim, as cooperativas não estariam no processo. 

*Com informações da repórter Beth Matias