Inquérito sobre o Itaquerão não tem prazo para acabar

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Há mais de dois meses, em 27 de novembro de 2013, um acidente grave no estádio programado para sediar a abertura da Copa do Mundo no Brasil deixou dois mortos após a queda de um guindaste que carregava o último módulo da cobertura. Até hoje, os motivos do acidente na Arena Corinthians ainda não são conhecidos e a investigação do caso segue sem prazo para acabar. 
A queda do guindaste interditou parte da obra na área leste da arena e atrasou em quase quatro meses a entrega do estádio à Fifa. Antes programado para estar pronto até 31 de dezembro, a Arena Corinthians agora trabalha com o prazo de 15 de abril.
No mesmo dia do acidente, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso e começou a ouvir testemunhas. O prazo inicial para a conclusão da investigação era de 30 dias, mas o delegado do 65º DP (Artur Alvim) responsável pelo caso, Luiz Antonio da Cruz, entrou com um pedido na Justiça no dia 27 de dezembro para prorrogá-lo.
Enquanto o juiz não determina se aceita ou não ao pedido, a Polícia Civil seguiu com as investigações e ouviu mais pessoas envolvidas. Até esta segunda-feira, porém, o 65º DP ainda não tinha novidades sobre o inquérito, nem soube estipular um prazo para sua conclusão.
O delegado Luiz Antonio da Cruz explicou que ainda faltam pelo menos 20 ou 30 pessoas a serem ouvidas. Ele também reiterou que precisa aguardar a conclusão do laudo pericial.
“A investigação está em andamento. Estamos tentando concluí-la com rapidez, mas dentro do bom senso. Precisamos ouvir todas as partes envolvidas, precisamos do laudo pericial, dos laudos das vítimas, então não dá para falar em prazo”, disse o delegado.
“Já ouvimos cerca de 30 pessoas, entre bombeiros, defesa civil, engenheiros e técnicos da Odebrecht, o motorista do guindaste. Ainda faltam mais outras 20 ou até mais, é difícil prever”, completou.
Questionado se havia a possibilidade de o inquérito ser concluído apenas após a Copa do Mundo, o delegado desconversou: “Pode ser que fique pronto depois, pode ser que fique pronto antes, não posso te dar um prazo”.

 

MORRERAM DOIS OPERÁRIOS


A Odebrecht Infraestrutura recebeu comunicado do Ministério do Trabalho informando que não há registro de qualquer informação sobre o acidente nas obras da Arena Itaquera na caixa-preta do guindaste envolvido no acidente. 
Os dados sobre a caixa-preta foram repassados ao ministério pela empresa alemã Liebherr, fabricante do guindaste. Após o acidente, o dispositivo foi retirado do equipamento por técnicos da companhia e levado para a Alemanha, exatamente com o objetivo de que fosse feita sua análise. Em nota, a Odebrecht manifestou “profunda estranheza e perplexidade” com tal afirmação, já que os dados seriam fundamentais para a apuração do caso e a descoberta das razões do acidente.
Com base nas informações da caixa-preta, seria possível apurar se houve falha humana, falha no equipamento ou se um problema no solo da obra foi a causa do acidente. A Odebrecht disse que aguarda uma manifestação pública da Liebherr com esclarecimentos técnicos sobre a tragédia, além da devida satisfação aos parentes das vítimas, à sociedade e às autoridades.